GESTÃO
Para Ferraz, um grande sinalizador desse novo compor-
tamento dos profissionais foi o aumento da oferta e da
procura por especializações, especialmente MBAs, que
explodiram justamente na década de 90. “Nessa época
os profissionais começaram a investir recursos próprios,
especialmente nos MBAs”, afirma. A média de idade dos
estudantes de MBA caiu de 37 anos, na década de 90,
para 32 anos nos anos 2000, quando já existem cerca de
9 mil cursos de MBA no País, conforme dados da
Associação Nacional de MBA (Anamba).
O coaching, que atravessou as quadras e campos
esportivos e começou a ganhar força no mundo corpora-
tivo nos Estados Unidos, também nos anos 90, é outro
bom termômetro. No Brasil, segundo o presidente da
Sociedade Brasileira de Coaching (SBC), Villela da Matta,
“o crescimento do coaching já alcançou o índice de
300% ao ano”.
Adriana Ferrareto, coordenadora de desenvolvimento
humano e coach, da Neoplan RH, de Curitiba, confirma o
crescimento: “Todos os dias recebemos empresas
Darwin: preparação intensa desde a
interessadas em conhecer as modalidades de coaching
metade do curso de graduação em
para seus funcionários. Notamos um crescimento acen-
Relações Públicas
tuado de pessoas físicas também”.
Em geral – explica Adriana – os profissionais começam a Aos 43 anos, o paulistano Sandro Baldaconni é outro
procurar coaching por volta dos 35, 40 anos, mas esse exemplo de profissional que investiu no gerenciamento
movimento está começando cada vez mais cedo, uma da carreira. Logo após se formar em engenharia de
vez que na graduação as universidades já estimulam o produção, em 1990, ele já tinha um plano traçado para
olhar do jovem para a construção estratégica da própria alcançar sua meta profissional: tornar-se o executivo
carreira. número um de uma empresa. Para alcançar sua meta,
Baldaconni mergulhou em especializações variadas na
área técnica industrial, na de marketing, idiomas, além
DOIS EEXEMPLOS
de um MBA no Canadá na área de finanças e cursos
rápidos na Itália e os Estados Unidos.
Esse foi o caso do curitibano Darwin Grein, 25,
relações públicas recém-formado pela Universidade
Sete empregos depois e um networking muito bem
Federal do Paraná (UFPR). Ele iniciou sua preparação
estruturado, ele conseguiu concretizar um dos obje-
na metade do curso de graduação, acreditando que um
tivos profissionais: vai dirigir a filial da GT Techonology,
terço do sucesso numa carreira depende do próprio
uma empresa norte-americana da cadeia automobilís-
profissional.
tica, que se instalou em Curitiba no mês de outubro.
“Precisamos estar preparados para quando a oportu-
“A empresa e o mercado influenciam diretamente a
nidade chegar, seja dentro da empresa ou fora dela.
minha carreira. Cuido da terça parte, pois sei que
Para isso, ter uma direção é fundamental”, frisa.
minha preparação, além de ampliar o alcance profis-
sional, dará segurança para inovar e buscar novos
desafios”, aponta Grein, lembrando que sua trajetória REAÇÃO DDAS EEMPRESAS
começou na metade da graduação ao ingressar na
AIESEC, uma ong internacional cujo objetivo é desen- E o que significa para as empresas essa mudança de
volver o potencial de liderança de jovens. “Ali conheci e comportamento das pessoas que já estão ou que vão
fiz mentoring, avaliações de competências e coaching. entrar no mercado de trabalho? Cleila acredita que essa
Também busquei auxílio de um psicólogo, pois “onda do autodesenvolvimento, da automotivação” é um
creio que a chave para o desenvolvimento de qualquer processo de amadurecimento bilateral, envolvendo
competência (tanto profissional quanto pessoal) seja o empresa e colaboradores. ”Uma organização não contra-
autoconhecimento”, explica. ta um colaborador que não combina ou aceita seus
40 OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA fevereiro/março 2009
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