GESTÃO
ndando pelos campos próximos de sua casa na sido cada vez mais freqüente na vida profissional nas últi-
Baviera, à procura de resquícios de pára-quedas mas décadas, mudando gradativamente as relações de
Aque sobravam dos combatentes, Adolf Dassler teve trabalho e criando novos paradigmas no universo corpora-
a certeza que o poder sobre sua vida profissional estava ao tivo. Não há consenso entre especialistas sobre a razão
alcance de suas mãos. Nem mesmo o chamado do Reich, dessa tendência. Maior competitividade? Exigências de
as trincheiras da guerra ou a família o impediriam de dar mercado? Ou maior autoconhecimento das pessoas, busca
um ritmo inusitado à sua carreira, em plena década de 20. de satisfação financeira e pessoal?
Nascia ali a Adidas. A decisão de Dassler não mudou ape-
nas sua própria trajetória. Deu vida a uma nova indústria. Eugenio Mussak, 58, educador e especialista em educação
Criou um estilo de relacionamento com o mercado e con- corporativa, é categórico: “Se você gosta do que faz, tende
sumidores. Influenciou destinos políticos, mexeu com a fazer bem feito, tem melhores resultados e é reconheci-
sociedades inteiras e, claro, contribuiu para dar forma ao do”. Ele mesmo é um exemplo de profissional que não tem
esporte como conhecemos hoje. medo de tomar decisões: abandonou a medicina em
1998, com mais de 40 anos, para se dedicar à carreira de
Atitudes como a de Adolf Dassler eram incomuns no pas- educador.
sado. Tomar as rédeas da própria carreira, entretanto, tem
Desde 1983 trabalhando com consultoria para desenvolvi-
mento pessoal e organizacional, a psicóloga e mestre em
sociologia Cleila Elvira, 56 anos, acredita que ter nas mãos
as rédeas da carreira significa, antes de tudo, “ser um indi-
víduo que conhece seus valores, competências e habili-
dades. Que tem visão de futuro e que consegue monitorar,
constantemente, essas duas coisas face às condições de
cada momento, sendo capaz de assumir os riscos decor-
rentes das decisões tomadas”.
Não existem estatísticas ou pesquisas formais sobre
desenvolvimento humano no Brasil. Mas para
Eduardo Barreto Ferraz, 44, consultor de empresas
que há duas décadas trabalha na área de gestão de
pessoas usando a neuropsicologia, o movimento da
autogestão de carreiras começou no início dos anos
90, com a abertura da economia brasileira. “As pes-
soas estavam acostumadas a ter só um ou dois
empregos durante a carreira. Viviam presas ao para-
digma de que a gestão de sua vida profissional era
uma atribuição da empresa”, explica o diretor da
Pactive Treinamento & Consultoria. “Hoje o paradig-
ma inverteu-se: a responsabilidade pela gestão da
carreira é tão ou mais importante do que as oportu-
nidades de desenvolvimento que o indivíduo terá nas
empresas que trabalhar, pois a decisão será cada vez
mais dele.”
ESFORÇO IINDIVIDUAL
Cleila Elvira concorda que essa tendência vive uma
curva ascendente no Brasil. “Este movimento deu-
se com a ‘decretação da lei Áurea’ por parte dasEmpresas e
empresas. Foram elas que começaram a desafiarcolaboradores
seus empregados a buscarem seus própriosestão
processos de desenvolvimento”, afirma ela, queamadurecendo
também responde pela vice-presidência dajuntos, diz a
Associação Brasileira de Coaching Executivo econsultora
Empresarial (Abracem).Cleila Elvira
39OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA fevereiro/março 2009
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