ANÁLISE E TENDÊNCIAS
três níveis: uma pelo litoral, outra pelo meio (sentido
Um dos problemas da
Norte-Sul) e uma terceira pelos Estados do Oeste, que,
interligadas às ferrovias do Atlântico-Pacífico, nos
sociedade brasileira é que ela
dessem maior competitividade no comércio exterior?
não tem controle sobre os
3. ...baixasse a Selic dos atuais 12,75% para algo
como 6,75%? Mesmo com a queda de 6 pontos per-
desvarios do setor público. O
centuais, ainda teríamos juros reais 40% acima da
custeio da máquina e os gastos
inflação, e a economia seria em torno de R$ 70
bilhões por ano, que, investidos em infraestrutura,
com servidores estão crescendo
saúde, educação, saneamento e segurança provo-
cariam uma verdadeira revolução no Brasil em
como nunca antes na história
poucos anos.
deste país
4. ...apostasse para valer em educação básica pública,
a exemplo do que o Japão fez há mais de 100 anos, de
tal modo que pobres e ricos estudassem em ótimasgarantir superávits primários elevados (R$ 118 bilhões
escolas públicas? O Brasil somente será um país dignoem 2008, um recorde) e não investimos quase nada.
quando no ensino básico existirem apenas escolasEsses superávits anualmente são insuficientes para
públicas de qualidade, onde o professor seja valoriza-cobrir os juros da dívida pública.
do e tenha orgulho da profissão.
O que esperar de um país que cresceu 8% ao ano
5. ...para enfrentar a atual crise financeira mundialde 1961 a 1980, porém hoje está entre os que
promovesse investimentos públicos maciços, fazendomenos crescem no planeta? No primeiro ano do
g
“
um verdadeiro canteiro de obras e, assim, nosoverno Lula o Brasil cresceu apenas 0,5%. Em
preparasse para voltar a crescer em dois ou três anos?2007 fomos o penúltimo na América Latina, à frente
A infraestrutura precária que temos só resistiu porqueapenas do pobre Haiti. Enquanto os juros no mundo
o Brasil foi o país que menos cresceu no grupo do BRICaterrissavam, aqui no Brasil eles decolavam junto
(Brasil, Rússia, Índia e China) e o penúltimo nacom os impostos. O resultado é o baixo crescimen-
América Latina. Daí a oportunidade que o atual gover-to. Em 2008 ele empinou um pouquinho, bancado
no está perdendo ao investir o mísero 0,9% do PIBpela facilidade de crédito. Mas não foi por aumento
como vem
fazendo.de renda, o que seria desejável.
A primeira grande mudança está na queda brusca
LENTES EESTRATÉGICAS
da taxa de juros (Selic), para economizar bilhões de
reais e depois investir maciçamente. Precisamos de
Seria demais pedir para: a) dar um basta na gastança
investimentos, não de gastança. Recursos existem,
do governo; b) reduzir os juros (Selic) e economizar
mas estão muito mal empregados. Afinal, o governo
para investir; c) fazer as reformas administrativa,
arrecada mais de R$ 1 trilhão por ano! Precisamos
tributária e previdenciária; d) aumentar a produtivi-
de um choque de gestão pública. Sem isso, sere-
dade do setor público, como se exige do setor pri-
mos sempre um potencialmente rico, mas pobre
vado; e) melhorar a qualidade dos serviços públi-
país.
cos; f) respeitar o cidadão e assim por diante?
Que tal um governo que...
Está aqui feito o alerta para, quem sabe um dia,
termos um governo verdadeiramente com visão
1. ...pela dimensão e importância do Brasil agisse
estratégica no Brasil e na América Latina. Nossa
estrategicamente com os demais países da América do
esperança, ao que tudo indica, fica adiada para
Sul, construindo ferrovias que ligassem o Atlântico ao
somente a partir de 2011.
Pacífico, principalmente por que os asiáticos (em par-
ticular a China) estão se tornando grandes com-
pradores mundiais? Todos os países sul-americanos
Judas Tadeu Grassi Mendes é Ph.D. e pós-doutor
seriam beneficiados. Isto sim seria uma via eficaz de
em Economia pela Ohio State University, foi
integração internacional.
professor visitante nos EUA, Japão e Alemanha,
é fundador e atual diretor-presidente da Estação
2. ...por ser o Brasil continental, investisse em ferrovias
Business School
com bitolas largas (que garantem alta velocidade), em
37OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA fevereiro/março 2009
Page 1 |
Page 2 |
Page 3 |
Page 4 |
Page 5 |
Page 6 |
Page 7 |
Page 8 |
Page 9 |
Page 10 |
Page 11 |
Page 12 |
Page 13 |
Page 14 |
Page 15 |
Page 16 |
Page 17 |
Page 18 |
Page 19 |
Page 20 |
Page 21 |
Page 22 |
Page 23 |
Page 24 |
Page 25 |
Page 26 |
Page 27 |
Page 28 |
Page 29 |
Page 30 |
Page 31 |
Page 32 |
Page 33 |
Page 34 |
Page 35 |
Page 36 |
Page 37 |
Page 38 |
Page 39 |
Page 40 |
Page 41 |
Page 42 |
Page 43 |
Page 44 |
Page 45 |
Page 46 |
Page 47 |
Page 48 |
Page 49 |
Page 50 |
Page 51 |
Page 52 |
Page 53 |
Page 54 |
Page 55 |
Page 56 |
Page 57 |
Page 58 |
Page 59 |
Page 60