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CONCORRÊNCIA
ambiente de desrespeito às normas, acaba-se estimu-
lando os capitais especulativos, de curto prazo, que
ganham rapidamente e caem fora, não os que
favorecem o desenvolvimento de longo prazo”.
EDUCAÇÃO PPARA AA ÉÉTICA
A deslealdade na competição é uma doença crônica
no Brasil e nos países subdesenvolvidos, diz
Anderson Portes, gerente nacional de marketing da
Racco, indústria de cosméticos de Curitiba: “É a
sobrevalorização da vantagem, do ganho fácil”. A
empresa iniciou um movimento de auto-aperfeiçoa-
mento ético, que começa pela educação permanente
de seus colaboradores, a partir de oportunidades
cotidianas, na esperança de que possam contaminar
o mercado com uma cultura ética.“Acreditamos que
ética é uma questão de prática”, diz Portes, “fácil de
apontar nas coisas grandes e difícil de assumir no
dia-a-dia, nas pequenas ações.”
De acordo com o gerente, cada vez que se apresenta
uma situação, comercial ou não, que não é ética, há
uma reação na empresa, “e isso cria uma corrente,
passa a fazer parte do nosso comportamento”. Um
manual interno de ética valoriza ações e pessoas,
reconhece publicamente e reforça essa cultura inter-
na, por meio de 10 Mandamentos Éticos.
A Racco tem 21 anos e está instalada em duas plan-
Melek: alerta para o
tas – uma com 40 mil metros quadrados e outra que
risco dos medicamentos
vai ocupar 105 mil metros quadrados. Tem 550 fun-
contrabandeados
cionários internos e 5.500 nos distribuidores e atua
em toda a linha de cosméticos e em alimentos ricos
em fibras. Quando um funcionário é admitido, no
Montoro Filho avalia que o combate à pirataria tem
processo de integração ele recebe informações sobre
tido avanços desde a CPI da Câmara dos Deputados,
os valores que a empresa cultiva. Esses valores são
que há cinco anos radiografou uma situação que
premiados; na avaliação anual existe um ponto referente
colocava o País na defensiva em fóruns interna-
à ética. Se não houve nenhum caso de dúvida, o
cionais, sob a acusação de não combater com ânimo
colaborador recebe um bônus de salário.
suficiente a apropriação de direitos em diversos
setores – da fabricação de tênis à distribuição de
Eventuais transgressões são avaliadas nas reuniões
CDs e músicas. Em 2004, foi criado o Conselho
de um grupo de 15 pessoas que gerencia toda a com-
Nacional de Combate à Pirataria, que é ligado ao
panhia, e o gerente do setor em questão é encar-
Ministério da Justiça e tem representantes de órgãos
regado de dar o retorno para o funcionário. Não há
governamentais e organizações privadas. “Isso criou
escala de gravidade, pois em se tratando de ética
uma sistemática de articulação das ações de Estado,
todos os casos são graves, argumenta Anderson
com resultados bastante fortes em termos de
Portes. O que se leva em conta é, principalmente, se
apreensões, mobilizando a Polícia Federal, a Receita
o retorno gerou aprendizado. Nesse caso o fun-
Federal e a Polícia Rodoviária Federal”, avalia
cionário pode ficar na companhia; do contrário, será
Montoro Filho.
demitido. Segundo Portes, já houve duas demissões
por transgressões éticas.
Para o presidente do Etco, as práticas de sonegação,
informalidade, pirataria e adulteração prejudicam
Fora dos muros da empresa, vale a mesma regra. “Se
não apenas as empresas que cumprem suas obri-
você for na feira hippie, vai encontrar produtos nos-
gações, mas também o crescimento do País: “Em um
34 OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA fevereiro/março 2009
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