CONCORRÊNCIA
quase nenhuma atuação governamental para coibir causa da concorrência chinesa. A indústria precisou
esse tipo de venda”. “Se você for à Rua 25 de Março readequar todo seu foco e a estratégia, e acabou se
(em São Paulo), por exemplo, vai encontrar esses pro- focando em um produto que antes era secundário:
dutos na rua, não precisa nem entrar na loja, e o País sabonetes para a rede hoteleira. A defesa contra a
inteiro sabe disso. A gente se sente abandonado pelos pirataria, afirma, “tem sido sempre bater na inovação,
órgãos fiscalizadores. na qualidade, promoções, marketing, e, paralelamente,
via organizações de classe, conscientizar os consumi-
As empresas associadas ao sindicato também têm recla- dores”.
mado muito de produtos que não são propriamente
piratas, mas de baixíssima qualidade, vindos da China. O presidente executivo do Instituto Brasileiro de Ética
“Eles não têm garantias sociais e não protegem os tra- Concorrencial (Etco), André Franco Montoro Filho, que
balhadores, que sofrem muitos acidentes de trabalho. É foi presidente do BNDES e da Comissão Diretora do
uma mão-de-obra quase escrava, uma concorrência que Programa Nacional de Desestatização, além de
também se enquadra na falta de ética”, diz Melek. secretário da Economia e Planejamento de São Paulo,
concorda que não basta combater a oferta. É preciso
Para Roberto Olívio da Silva, o fim da pirataria depende agir contra a demanda de produtos pirateados, conscien-
em grande parte do consumidor. Ele não aceita o argu- tizando sobre os prejuízos e malefícios que trazem aos
mento de que os produtos pirateados são tolerados consumidores, aos cidadãos, a todo o País. Enquanto
porque são mais baratos. “Falsificam até canetas Bic, houver pessoas que compram esses produtos, diz ele,
cujas originais não custam nem um real. É preciso haverá quem tente oferecê-los.
bater firme e também responsabilizar o consumidor,
pois o que não se consome não tem oferta.” Essa conscientização inclui, no esforço do Instituto, os
próprios empresários, que são ao mesmo tempo
O setor de cosméticos é um dos que mais sofre com a fornecedores e clientes. “Procuramos mostrar aos
falsificação. Marcelo Melek afirma que as perdas empresários que algo que a curto prazo pode parecer
chegariam a cerca de 30% e em torno de 10% a 15% uma vantagem, a longo prazo será um prejuízo. Para o
na área de medicamentos, “em que não há tolerância bem da empresa e da sociedade, é importante que
social ou fiscalizatória com a falsificação”. Ele men- exista a concorrência, mas que se dê respeitando as
ciona uma empresa da região de Curitiba que nos últi- regras, as leis e com cada um cumprindo suas obri-
mos meses passou por seriíssimos problemas por gações”, afirma.
Falsificação de
DVDs levou ao
fechamento de 500
locadoras, diz
Olívio
33OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA fevereiro/março 2009
Page 1 |
Page 2 |
Page 3 |
Page 4 |
Page 5 |
Page 6 |
Page 7 |
Page 8 |
Page 9 |
Page 10 |
Page 11 |
Page 12 |
Page 13 |
Page 14 |
Page 15 |
Page 16 |
Page 17 |
Page 18 |
Page 19 |
Page 20 |
Page 21 |
Page 22 |
Page 23 |
Page 24 |
Page 25 |
Page 26 |
Page 27 |
Page 28 |
Page 29 |
Page 30 |
Page 31 |
Page 32 |
Page 33 |
Page 34 |
Page 35 |
Page 36 |
Page 37 |
Page 38 |
Page 39 |
Page 40 |
Page 41 |
Page 42 |
Page 43 |
Page 44 |
Page 45 |
Page 46 |
Page 47 |
Page 48 |
Page 49 |
Page 50 |
Page 51 |
Page 52 |
Page 53 |
Page 54 |
Page 55 |
Page 56 |
Page 57 |
Page 58 |
Page 59 |
Page 60