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CONCORRÊNCIA
Melina Reck: no
campo da lei, é mais
fácil resolver os
conflitos. O
problema é a
economia
subterrânea
prador na ciranda do crime organizado. Outro dia,No Paraná, o presidente da Associação Paranaense de
exemplifica, “prenderam um garotinho de 10 anosCombate à Pirataria (apcp.org.br), Roberto Olívio da
vendendo crack; ele contou que vendia DVDs piratas eSilva, coleciona dados sobre as perdas provocadas às
com o dinheiro comprava crack, que também reven-empresas e ao Estado pela falsificação, contrabando e
dia”.outras atividades ilegais. Ele cita dados da Secretaria
de Estado da Fazenda segundo os quais no ano passa-
do o Paraná deixou de arrecadar R$ 600 milhões em
TARJA PPRETA
função de concorrência desleal e falsificações. “Hoje,
segundo a Receita Federal, somente em torno de 10%
O presidente do Sindicato das Indústrias Químicas e
de produtos falsificados são retidos na fronteira; 90%
Farmacêuticas do Paraná, Marcelo Melek, ficou
entram no Estado e vão para todo o Brasil”, afirma.
impressionado com a Operação Tarja Preta, da Polícia
Federal, que em agosto revelou, em Curitiba, um
O foco da Associação é o DVD, produto em que a
esquema de venda de medicamentos controlados, para
pirataria suplanta a indústria legal. Roberto Olívio afir-
serem usados como entorpecentes nos Estados
ma que no ano passado, no Paraná, aproximadamente
Unidos, Canadá e Europa. Foram presas oito pessoas,
500 lojas de locação de DVDs fecharam por não con-
que lucravam com o comércio ilegal aproximadamente
seguir competir com os concorrentes inescrupulosos.
US$ 300 mil por ano. O que espanta o sindicalista não
é somente o porte da logística da quadrilha, mas prin-
Depois dos DVDs, os produtos mais visados são
cipalmente o fato de que ela atuou durante cinco anos:
os cigarros, perfumes e medicamentos. “Imagine um
“É mais comum do que a gente imagina, e há também
paciente que precisa controlar sua pressão arterial e
a importação ilegal de medicamentos sem nenhuma
toma um remédio que não é verdadeiro”, diz o presi-
garantia de procedência e que têm uso restrito ou
dente da associação antipirataria. Nesses casos, ele
proibido aqui no Brasil”, diz.
repara, os consumidores (com muita razão) ficam
revoltados, “mas eles também precisam abrir os olhos
Esse tipo de concorrência desleal é tão danoso quanto
para a questão da falsificação como um todo”. É pre-
a pirataria, avalia o presidente do sindicato: “Deixa as
ciso entender, defende Olívio, que as atividades ilegais
indústrias frágeis, pois enquanto a gente procura se
são interligadas e que um gesto aparentemente inofen-
aprimorar, presta atenção à regulação e tem a Anvisa
sivo de comprar um produto pirata, sob a justificativa
sempre em cima, sofre esse tipo de concorrência ile-
de que afinal de contas é mais barato, coloca o com-
gal”. O mais frustrante, afirma, “é ver que não há
32 OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA fevereiro/março 2009
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