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CONCORRÊNCIA
ARMAS DESIGUAIS
Por Gladimir Nascimento
Os prejuízos causados pela ausência de ética nos
negócios chegam à casa dos bilhões. Empresas e
entidades reagem apostando em conscientização
e cobrando ação mais dura dos órgãos públicos
láudio Abramo (1923/1987), que foi diretor pela PricewaterhouseCoopers, uma das maiores
de redação da Folha de São Paulo, produziu empresas de consultoria e auditoria do mundo,
Cuma das mais simples, abrangentes e definiti- mostrou que, de 76 empresas brasileiras ouvidas,
vas definições de ética: “Sou jornalista, mas gosto 46% informaram já ter sofrido algum tipo de fraude,
mesmo é de marcenaria. Gosto de fazer móveis, o que inclui apropriação de ativos, fraude contábil,
cadeiras, e minha ética como marceneiro é igual à
minha ética como jornalista — não tenho duas. Não
existe uma ética específica do jornalista: sua ética é
a mesma do cidadão”. Tampouco existe uma especi-
ficidade ética para a concorrência; o que não se pode
fazer na ação de competir é aquilo mesmo que não
se pode tolerar em qualquer outra atividade, em
qualquer pessoa. “O cidadão não pode trair a palavra
dada, não pode abusar da confiança do outro, não
pode mentir”, escreveu o jornalista no prefácio do
livro A Regra do Jogo, de 1988. Se tivesse seguido a
vocação original e aberto uma fábrica de móveis,
Abramo teria muitas oportunidades para testar esse
conceito.
Quando entrou no mercado de alimentação industrial,
há 16 anos, a Exal, de Curitiba, recebeu de alguns
concorrentes um combate que, segundo seus diri-
gentes, extrapolou a ética, chegando a uma mistura
de pecados capitais aplicáveis aos negócios, como
ira, gula, avareza, inveja e soberba. O presidente,
Roberto Costa de Oliveira, diz que a empresa tem
sofrido vários ataques desleais. Sua solidez e capaci-
dade foram colocadas em dúvida em boatos dirigi-
dos a clientes, sem falar na afronta direta.
Logo no início, conta o empresário, “tivemos uma
ameaça clara e direta do maior concorrente a nível
Portes, danacional, de que se ganhássemos um de seus con-
Racco, que tratos tradicionais eles nos quebrariam. Ganhamos,
premia inoculamos os clientes, a ameaça se materializou,
colaboradoresmas não conseguiram nos quebrar.”
pelo
comportamentoSituações como as relatadas por Oliveira estão longe
éticode ser fortuitas. Uma pesquisa divulgada em 2007
30 OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA fevereiro/março 2009
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