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OPINIÃO INSTITUCIONAL
GERE EMPREGOS E
SERÁ PPUNIDO
Cláudio Petrycoski
odo desequilíbrio, em qualquer área, gera inse- Lembremos que empresas estão fechando as portas
gurança. A crise automobilística em Detroit, e empreendedores se apresentam temerosos quan-
Tque chegou a ser a capital do automóvel no to à geração de novos empregos, o que amplia uma
mundo, se intensifica e coloca em questão as relações tendência – observada em muitos países – de trocar
do trabalho. Por pressão dos sindicatos, as grandes profissionais por máquinas, gerando um círculo
indústrias, especialmente a General Motors (GM), con- vicioso que afeta, em efeito bumerangue, a econo-
cederam, em fases áureas, benefícios como aposen- mia como um todo. Repito: o empreendedor que
tadorias aos 55 anos de idade e outras vantagens conhece o ônus e os riscos envolvidos na con-
vitalícias. O custo de tais pensões tornou-se um peso tratação de profissionais está desestimulado e
e hoje a GM tem 10 aposentados para cada fun- cauteloso ao abrir vagas.
cionário na ativa. Estima-se que cerca de dois mil
dólares da venda de cada carro são empregados só no Atitudes pró-ativas, de caráter integrador, ado-
pagamento de despesas com a saúde dos funcionários. tadas nas organizações empresariais podem,
infelizmente, se transformar em passivos imen-
Sabemos que as três grandes montadoras de sos ao negócio. Um exemplo é o futebolzinho da
Detroit reivindicaram recursos para o governo suprir empresa: casos de lesões durante o jogo podem
parte do rombo, causado, também, pelo configurar, agora, acidente de trabalho. O nexo
desaquecimento econômico. Não é a situação técnico-epidemiológico também mais parece
ideal, mas, incontestavelmente, elas exerceram por uma piada e se você, empregador, não se infor-
um bom tempo um papel que deveria ser atribuição mou ainda sobre ele, busque conhecimentos,
do governo, assumindo custos que as tornaram pois precisará. Uma apendicite pode representar
menos competitivas e até inviáveis. um passivo para sua organização no futuro. São
fatores que, a exemplo do que ocorreu em
Linhas de pensamento modernas apontam a Detroit, sobrecarregam e tornam o futuro incer-
importância de oferecer o máximo ao trabalhador, to para quem emprega.
para que se sinta motivado e proporcione o desen-
volvimento da organização. Não deixa de ser positi- O que juristas, políticos e sindicalistas não falam é
vo. Porém, da teoria para a prática percebemos do combate à informalidade na contratação de mão-
entraves ao espírito empreendedor e à criação de de-obra, que atinge metade ou mais de nossa
novos postos de trabalho. população em atividade. Um percentual que
demonstra as deficiências do sistema, focado quase
A legislação trabalhista vigente e aditivos que são que exclusivamente nas organizações formais que,
debatidos no Congresso não deixam dúvida quanto à em muitos casos, concorrem no mercado com
transferência de atribuições que seriam do Estado outras que não enfrentam o custo de 80% a 105%
para a iniciativa privada. Algo que se vê, também, nas além do salário nominal de seus funcionários.
interpretações e decisões judiciais, com tendências
voltadas ao trabalho (trabalhador), não ao capital É necessário pensar numa nova regulamentação,
(empresário), e sentenças que que estimule a formalização. Ninguém gosta de ser
vão – em alguns casos – além da “informal”, nem mesmo empregadores. Percebendo
capacidade de pagamento das que é viável sua formalidade e que as contribuições
organizações empresariais. São retornarão realmente em benefício da empresa e de
decisões que ignoram as con- seus funcionários, a atitude tende a ser pela for-
tínuas quedas de rentabilidade malização. Lembremos Detroit. A capital mundial
líquida geradas pela crescente do automóvel, uma cidade que no passado era fan-
competitividade de mercado e tástica, apresenta sinais catastróficos de empo-
as seguidas transferências de brecimento. Vamos evitar a importação deste
responsabilidade do Estado para modelo que dá sinais claros de desgaste.
a iniciativa privada através de
tributos, taxas, novos serviços e
CLÁUDIO PETRYCOSKI é presidente da Atlas
atribuições legais perante o tra-
Eletrodomésticos e vice-presidente do Sistema Fiep
balhador e a sociedade.
13OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA fevereiro/março 2009
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