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ribeirinhos sobre a simplicidade da natureza. Comemos sua
comida, adotamos os seus costumes e aprendemos a
respeitar as diferenças”, diz Gottshild.
Mordomias
Nas pescarias pelos grandes rios brasileiros, os gru-
pos normalmente têm 30 pessoas que preferem utilizar
o conforto oferecido pelas pousadas. Elas são o QG dos
pescadores esportivos e preparam tudo para os hós-
pedes, desde o barco até banquetes servidos em ilhas
fluviais.
Para os que viajam a Presidente Epitácio, represa no
rio Paraná, entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, a saída
de Curitiba é feita em ônibus-leito, fretado.Viajam umas
10 horas até a pousada, onde alugam barcos para duas
pessoas – a cerca de R$ 30 por até 10 horas de pescaria –,
mais o piloteiro, uma espécie de guia da região, com quem
aprendem as manhas da natureza. “O que ele disser é lei,
em nome da segurança do grupo”, diz Gottshild.
O grupo navega uns 40 minutos até uma ilha, onde
começa a pesca de lambaris e de suculentos tucunarés.
Cada pescador fisga, em média, um peixe a cada três
horas.
Entre as tralhas de pesca estão um baralho, para
garantir o truco da noite; muito líquido para azeitar os
longos papos que invadem a madrugada; e uma câmera
fotográfica, testemunha das proezas que serão contadas
pelo pescador durante toda a sua vida. Selma Martines
diz que quem gosta de pescar “é uma pessoa privilegiada
pelo contato com a natureza e suas peculiaridades: o
calor, sol, água, vento, chuva e peixe na ponta da linha”.
“A Magia do Pantanal”, crônica de Nelson Maciel,
Acervo pessoal
descreve bem os sentimentos que invadem a alma de
pescador quando nasce uma nova manhã de pescaria:
“O ambiente é iluminado. A presença de nosso Criador
em outros Estados. Quanto ao comportamento feminino
mostra-se por inteiro num amanhecer ponteado pelos
nas competições, Selma tem uma teoria: ”É da natureza
acordes dos pássaros, assim como o ocaso de tons
da mulher expressar seus sentimentos. Quando estamos
rubiáceos que mancham o azul do céu... O bailado das
pescando, conversamos, pedimos iscas emprestadas, per-
aves, a sinfonia dos animais, o cheiro da mata, a
guntamos muito e quando iscamos um peixe fazemos
placidez das águas de uma baía abrigada, a dança dos
mais alvoroço do que os homens”.
camalotes seguindo a correnteza do rio, o grande rio
Pescador experiente, o empresário Luiz Fernando
Paraguai. E no final da tarde, no deck de nossa
Gottshild, proprietário da Rede de Imóveis de Curitiba,
Chalana, vendo o sol morrer lentamente no horizonte,
não conseguiu “fisgar” a mulher para seu hobby. “Ela fez
ouvindo os acordes da mãe natureza, nosso corpo,
uma festa quando pescou seu primeiro lambari, mas depois
cansado, agradece a visão de tal magnitude...Esta é a
desistiu”, conta. O empresário, porém, segue firme na vida
magia... Peixes são conseqüências desta paz, desta força
de pescador, iniciada na infância, ao lado do pai. “A pesca
que vem da natureza...”. n
é uma terapia. Além de descansar, a gente aprende com os
OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA - dezembro/2007 57
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