COMPORTAMENTO
Todos no mesmo barco
Há quatro anos, o empresário Aryon Schultze, dono
de uma loja de pesca em Curitiba, organiza grupos para
pescar na Argentina e em várias regiões do Brasil. “São
profissionais de variados segmentos que amam a pesca
como esporte, mas que buscam também o contato com a
natureza e seu poder antiestressante”, conta. As embar-
cações saem com todo tipo de pescador. Industriais, den-
tistas, advogados, delegados, comerciantes, arquitetos,
executivos, universitários e aposentados.
Quando Schultze começou a pescar com seu pai, aos
4 anos, não havia estrutura de pesca. “Era preciso montar
Acervo pessoal
acampamentos, transportando para o local todo o mate-
rial, além de mantimentos. Hoje existem verdadeiros
“Devolver o peixe à
oásis de pesca, onde, se o pescador quiser, não precisa
água dá tanto prazer
levar nada além de dinheiro”, diz.
quanto a sua captura”,
A maioria dos grupos faz “pesca de manutenção”, três
diz Maciel
vezes por mês. Partem de madrugada e voltam no final do
dia. O destino é, geralmente, as baías de Paranaguá e
Guaratuba, no Paraná, e de São Francisco, em Santa
Catarina. “Mas a pescaria dos sonhos é a que os leva ao
Amazonas (tucunaré), Pantanal (dourado) ou Espírito
Santo (marlin azul), viagens mais planejadas e dis-
pendiosas, e que por isso só acontecem uma vez ao ano”
diz Schultze.
Os equipamentos para pescaria são um universo com-
Aryon Schultze,
plexo. Há 20 anos, varas de pesca de alta tecnologia
que há quatro
tinham que ser trazidas do exterior na bagagem de algum
anos organiza
amigo viajante. Hoje, com o mercado aberto e a queda do
grupos de pesca
dólar, chega ao País um sofisticado arsenal de equipa-
para a Argentina e
mentos.
várias regiões do
Uma vara pode custar entre R$ 20 e R$ 2 mil, ou até
Brasil
mais, como alguns modelos japoneses. Para a pesca
esportiva, que prega o “Pesque e Solte”, o equipamento é
com a pesca uma relação ancestral: ”Meus avós, tios e
composto de carretilha, varas em fibra de carbono, linhas
pais foram grandes pescadores em rios nas redondezas de
de multifilamento e iscas artificiais dos mais diversos
Curitiba, como o Iguaçu. Hoje estão sem lugar para
modelos e marcas. Schultze diz que o pescador é um
pescar devido às más condições ambientais”. Selma pesca
grande colecionador de novidades: “Para ele, o preço não
desde menina na companhia masculina. “Posso me con-
é o mais importante. Como as mulheres se comportam
siderar uma mulher privilegiada, pois nunca senti algum
diante de um sapato na vitrine, há pescadores que com-
tipo de preconceito”, diz a pescadora de mar.
pram por impulso”.
Seu ex-marido não gostava de vê-la pescando em
companhia de amigos homens. “Me separei e então
Coisa de mulher
voltei a praticar meu esporte predileto”, conta Selma, que
é atleta do Clube de Pesca Vêneto, de Santa Felicidade,
Aposentada da Petrobras, onde atuou por mais de 20
na modalidade Pesca de Praia, ao lado de outras
anos na área de exploração de petróleo na Bacia de
mulheres. O grupo participa de competições no Paraná e
Macaé/Campos, Rio de Janeiro, Selma Martines diz ter
56 OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA - dezembro/2007
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