EDITORIAL
Inovar para educar
Rodrigo da Rocha Loures
O mais preocupante, contudo, é a falta de base: o
Brasil vive um descompasso entre a necessi-
ensino fundamental é uma tragédia nacional. A escola
dade de mão-de-obra qualificada e a falta de
está desconectada da sociedade, é conservadora e
gente capacitada para o mercado de trabalho.
burocrática, tem uma visão tecnicista do processo de
Esta carência reflete a falta de preocupação da
educação com foco somente na pedagogia. Está na hora
Onação em oferecer aos brasileiros um sistema de
de fazer acontecer a escola viva – que permite que a
educação de melhor qualidade. Países que optaram por
plenitude do potencial das crianças seja alcançada sem
colocar o ensino do seu povo como prioridade estão
os obstáculos da burocracia e dos modelos metais.
vencendo a corrida da globalização.
Como fazer uma intervenção nas escolas para que elas
Os gastos brasileiros com educação equivalem a
possam caminhar na direção da evolução dos seus estu-
4,1% do PIB. A média dos países da Organização para
dantes?
Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) é
Se observarmos a educação profissionalizante de esco-
de 4,9%. Nosso problema, no entanto, está menos na
las do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial
quantidade dos investimentos e mais na alocação e
(SENAI), do Serviço Social da Indústria (SESI) e do
gestão dos recursos. Em resumo: se gasta muito, com
Sistema “S” de uma forma geral, veremos que existe uma
baixa eficiência e critérios injustos.
grande preocupação advinda dos empresários com
Dados da Unesco indicam que temos a mais alta
relação a necessidade de modernização contínua na edu-
taxa de repetência na primeira série entre 48 países
cação. Isso ocorre para que se consiga acompanhar a
pesquisados: 32%. A escolaridade média da população
constante evolução do mundo dos negócios.
brasileira, de 4,9 anos, é muito pequena para uma
Na nossa visão, sem o envolvimento da sociedade a
nação que almeja disputar mercados internacionais. No
educação não vai mudar. Para que essa melhoria seja
nosso país, 78% das pessoas têm, no máximo, o ensino
alcançada é necessário promover uma com a revisão
fundamental completo e apenas 7,5% chegam a cursar
nos processos e nas metodologias usadas pelos profes-
o ensino superior.
sores, que devem atrair e manter o interesse dos alunos
Ao adotar uma política universalização do ensino
e acompanhar a evolução do planeta. A capacitação
fundamental, o Brasil praticamente não deixa mais as
contínua dos professores e a inovação na escola, para
crianças fora das salas de aula. Esse cenário fornece
desburocratizar o sistema, também são fatores prepon-
uma visão confortável, porém equivocada, de que não
derantes na mudança. Estas transformações na base
existem problemas nesse nível de ensino. As crianças
terão impacto direto também na educação profissional
vão, sim, para a escola. Contudo, aprendem pouco e,
que interessa tanto ao empresário brasileiro.
desestimuladas, largam os estudos na adolescência.
Experiências internacionais de sucesso indicam que
A má qualidade das escolas, sua distância da reali-
a articulação entre governo e sociedade traz resultados
dade e da necessidade do aluno tiram das salas de aula
mais eficazes e em menor prazo. Na educação,
justamente os brasileiros em pior situação econômica,
unanimemente apontada como essencial para a
que acabam por não ingressar no ensino médio. Apenas
construção de uma sociedade mais justa e igualitária, a
14,4% da população chegam neste nível, enquanto
responsabilidade coletiva tem peso crucial. n
China e Índia apresentam índices de 45,3% e 23,8%,
respectivamente. Este diagnóstico revela que estamos
Rodrigo da Rocha Loures é presidente do Sistema Federação das
acumulando dívidas em todas as etapas da formação
Indústrias do Estado do Paraná
dos nossos jovens.
OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA - dezembro/2007 5
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