Por Mirian Gasparin
material. Um curso de 200 horas para capacitar um
operador de máquina tem um custo de R$ 45 para o
profissional.
Há dois anos as indústrias de confecções têm
enfrentado problemas para contratar consultores,
supervisores e gerentes de produção. Este ano, segundo
Campagnolo, consultores de moda de São Paulo foram
contratados para atender 30 empresas do Sudoeste. A
Indústria de Confecções Raffer, que há 30 anos atua na
cidade de Francisco Beltrão, contratou um consultor
de moda do Uruguai, já que não encontrou no País um
profissional que preenchesse o perfil exigido para a
vaga. A Raffer produz ternos masculinos e emprega 200
pessoas.
A estilista Emanuela Rodrigues foi contratada em
março último pela indústria De Julis, de Santo Antônio
do Sudoeste. A profissional concluiu o curso de Estilismo,
em 2006, na Universidade Federal de Goiás. “Eu estava
em busca de emprego. Enviei meu currículo via internet
para diversas confecções do Brasil, mas vi na De Julis
Consultor do Uruguai
uma boa oportunidade de trabalho”, destaca.
As empresas do interior pagam melhor, confirma
As indústrias de confecções têm passado maus
Emanuela, embora ela sinta falta da família, que ficou
momentos no que diz respeito à contratação de mão-
em Goiás, das palestras, desfiles e até mesmo das visitas
de-obra qualificada. Somente a cadeia produtiva do
a um shopping center. “Tive que abrir mão de uma série
vestuário do Sudoeste, por exemplo, é composta por
de coisas, mas que acabam sendo compensadas pelo
463 empresas, que respondem pela geração de 6 mil
trabalho que estou desenvolvendo”, afirma.
empregos formais.
Na região existem seis escolas especializadas na for-
Estágios para todos
mação profissional para as indústrias de confecções. Só
o Senai emitiu em 2007 um total de 2,8 mil certifica-
Há dois anos a construção civil passa por um grande
dos. Mesmo assim, a mão-de-obra capacitada não é
boom. As principais indústrias do setor têm dinheiro e
suficiente para atender a demanda das indústrias, que
projetos, mas faltam profissionais para desenvolvê-los. Há
se vêem obrigadas a enviar funcionários para escolas
quem diga que, enquanto em algumas indústrias a briga é
particulares, a custos maiores, informa Edson
por talentos, na construção civil as empresas já se dão por
Campagnolo, presidente do Sindicato das Indústrias do
satisfeitas em encontrar profissionais experientes.
Vestuário do Sudoeste (Sinvespar) e vice-presidente da
O vice-presidente da Fiep José Luiz Parzianello, de
Fiep.
Cascavel, chama a atenção para o fato de que, além do
Segundo ele, os cursos para capacitação de mão-de-
mercado de obras públicas estar bastante aquecido, o
obra para as indústrias de confecções do Sudoeste
segmento da construção habitacional também vive um
paranaense funcionam em forma de parceria. O Senai
ótimo momento. Com isso, a mão-de-obra, qualificada
faz a certificação e a metodologia dos cursos, as
ou não, fica cada vez mais escassa.
prefeituras pagam o instrutor e os empresários doam o
Segundo o coordenador do curso de Engenharia
Civil da Pontifícia Universidade Católica do Paraná
(PUC-PR), Orlando Strobel, o mercado de engenharia
está tão em alta que atualmente todos os alunos do
curso estão estagiando e muitos trocando de estágio
por uma melhor remuneração. 3GAS
OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA - dezembro/2007 45
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