INTERIOR
A indústria do interior recorre a todo tipo de
expediente para suprir a carência de mão-de-
obra qualificada: do pagamento de bônus para
funcionários que indicam bons trabalhadores
até o recrutamento de profissionais em outros
Estados e mesmo no exterior
epois de muitos anos com o freio dos investi-
mentos puxado, empresários dos mais diversos
segmentos da economia estão retirando proje-
MB Comunicação
tos da gaveta, passaram a ampliar seus negócios
Funcionário da Aurora Alimentos recebe o prêmio de
De estão comprando máquinas e equipamentos
R$ 80 pago a quem indicar novos colaboradores
como há tempos não se via. Um fator, no entanto, pode
comprometer a velocidade desse tão esperado movi-
salários acima da média, bônus que chegam a R$ 200mento na direção do crescimento sustentado: a
mil. escassez de mão-de-obra qualificada e experiente. No
Segundo Cláudio Petrykoski, vice-presidente daParaná, o diretor da Escola Técnica da Universidade
Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) e diretorFederal do Paraná, professor Alípio Leal Santos Filho,
presidente da Atlas Eletrodomésticos, de Pato Branco,diz que há uma carência de 26 mil profissionais da área
que fabrica fogões e máquinas de lavar roupas, a regiãotécnica, o que representa 13% da necessidade nacional.
Sudoeste convive com sérios problemas de escassez deUm problema que atinge especialmente a indústria do
mão-de-obra técnica para as funções de serralheiros, sol-interior, obrigando muitas empresas a buscar profis-
dadores, torneiros mecânicos, padeiros, encanadores,sionais fora do Estado.
eletricistas e operadores de máquinas. Para ele, a soluçãoOs setores identificados com maiores problemas
passa por mais investimentos em cursos técnicos. É umasão álcool (76% das empresas têm carência de mão-
preocupação que atinge todos os setores da economia ede-obra qualificada), vestuário (75%), outros equipa-
motivou a Confederação Nacional da Indústria (CNI) amentos de transporte (71%), indústrias extrativas
lançar o programa Educação para a Nova Indústria, que(71%), máquinas e equipamentos (70%) e veículos
só no Paraná terá investimentos de R$ 1 bilhão em edu-automotores (67%). Aliás, estes são também os seg-
cação e qualificação, por meio do Sistema Fiep (vejamentos que mais estão sendo impulsionados pelo
matéria na página 18).crescimento econômico.
Para amenizar o problema da falta de mão-de-Diante desse quadro, empresas de diferentes seg-
obra na fábrica, a Atlas tem optado por capacitar osmentos estão buscando até mesmo no exterior profis-
novos funcionários antes que assumam suas funções.sionais qualificados para suprir a carência de mão-de-
“É uma medida que, embora venha dando certo,obra. A desvantagem para a empresa é o alto custo
resulta em custos maiores para a indústria”, queixa-sedesse tipo de funcionário. Para atrair o profissional para
Petrykoski.o interior do Estado, muitas empresas pagam, além de
Há VAGA
44 OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA - dezembro/2007
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