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MEIO AMBIENTE
As empresas que partem para esse investimento
são principalmente aquelas que estão sendo cobradas
pelo mercado, conta Virlene Coturi. No Brasil, o
investimento necessário ainda é bastante alto, con-
siderando o grau de readequação que algumas organi-
zações precisam atingir para atender às exigências da
certificação. Para os que se decidem por esse caminho, o
que o certificado tem proporcionado, diz a auditora,
“é a reorganização interna, melhor alocação dos
recursos, os benefícios de gestão, mesmo”.
No Senai, que dá apoio na solicitação de certifi-
cação, a procura em 2006 foi pequena mas neste ano
Virlene Coturi, do
as consultas reagiram. O gerente do Senai para a
Tecpar:
Região Metropolitana de Curitiba, João Antônio
“Certificação
Veneri, comenta que as empresas estão utilizando a
pró-forma não
certificação como argumento para vendas no exterior,
agrega valor,
procurando exibir a certificação antes que o com-
somente custos”
prador exija.
Para algumas empresas, não possuir certificação
ambiental seria o mesmo que contradizer a natureza to de fornos de cimenteiras e ao mesmo tempo é
do negócio que desenvolvem. A Transforma matéria-prima para o cimento.
Engenharia do Meio Ambiente, pioneira no co- A Kraft Foods investiu em certificação da série
processamento de resíduos sólidos no Brasil, foi bus- ISO 14000 para todas as 17 fábricas que possui na
car o certificado ISO 14001 porque devia dar o exem- América Latina, inclusive a de Curitiba, e traduz suas
plo. “Achávamos que por coerência deveríamos práticas ambientais em termos simples e objetivos. De
perseguir a certificação, e, ao mesmo tempo, acordo com a direção da empresa, as certificações são
entendíamos que, naquela época (2003), ela tendia a resultado de um trabalho que começou em 2000, com
ser um requisito do mercado, algo que poderia nos diferentes ações voltadas para a sustentabilidade de
dar maior competitividade”, conta a diretora da recursos naturais por meio do Sistema de Gestão
empresa, Marília Tissot. Ambiental.
A Transforma participou da introdução da tec- Em todas as fábricas, todos os resíduos líquidos,
nologia de co-processamento no País, desde o início gasosos e sólidos recebem tratamento, tanto na fase
da década de 90, assim como da discussão no de geração como na destinação. A reciclagem de resí-
Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) duos sólidos, ainda de acordo com a diretoria, é de
para a edição da Resolução 264, que regulamentou a mais de 80% do volume gerado. A relação de medi-
atividade. Era, portanto, uma empresa perfeita para a das adotadas demonstra simplicidade para atendi-
ISO 14001. “Nossa primeira certificação saiu em mento às suscetibilidades ambientais, e bem poderia
novembro de 2003”, relata a diretora. “Em fevereiro ser a relação de medidas para economia ambiental em
de 2005, passamos para a versão 2004 da norma e em uma residência: redução de perdas na produção;
janeiro de 2007 tivemos a recertificação.” redução de embalagens; substituição de máquinas e
Marília viu surgir e crescer o mercado de co- equipamentos por outros de menor consumo de ener-
processamento e é testemunha da evolução dos seus gia; redução de vazão de torneiras; eliminação de
clientes: “Eles estão mais conscientes da necessidade vazamentos de ar comprimido; troca de descartáveis
de dar aos resíduos um destino adequado e definitivo, por retornáveis; programação para ligar e desligar
e que tenha também uma característica de ecoefi- máquinas, equipamentos e iluminação; uso de reci-
ciência – o resíduo vai ter uma utilidade”. Na ver- cláveis; treinamento sobre necessidade de otimização
dade, duas: o co-processamento, além de eliminar o do emprego de recursos naturais e redução da carga
resíduo, substitui combustíveis fósseis no aquecimen- de efluentes.
34 OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA - dezembro/2007
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