NEGÓCIOS
A falta de conhecimento em torno dos benefícios da Um bom plano de negócio foi fundamental para
alimentação orgânica não se restringe ao consumidor fugir de gargalos como o alto preço dos insumos e a
médio, estendendo-se, também, aos potenciais fornece- oferta restrita de alimentos in natura. Além da pequena
dores. “A empresa tem sempre procurado expandir seu quantidade de fornecedores, a produção orgânica obe-
market share, fomentando a produção orgânica por dece ao ciclo natural de animais e vegetais. Quando
pequenos e médios produtores. Porém, de forma franca, chega a entressafra, determinados pratos são retirados
a produção de soja orgânica no Brasil está estagnada”, do cardápio, o que garante a preservação da identidade
desabafa Fujisawa. “orgânica” do restaurante.
Dificuldades há, sem dúvida, mas quem aposta no Suguimati não se ilude. Reconhece que os produ-
segmento vislumbra um futuro promissor. O que o tos orgânicos jamais serão de consumo em massa. O
engenheiro eletricista Marcelo Suguimati viu quando aumento da oferta, contudo, deve favorecer uma
viajou à Alemanha e ao Japão inspira-o até hoje. A redução dos preços e ampliar a base de clientes
procura crescente por alimentos orgânicos nos dois cativos. Os sócios abriram recentemente uma filial do
países levou-o a pensar em investir no setor no Brasil. Chauá no sofisticado bairro curitibano do Batel. E já
Ele e o engenheiro de produção Rogério Chimionato pensam numa terceira unidade, provavelmente em
abandonaram promissoras carreiras no ramo corporati- São Paulo. “O produto orgânico quebra um paradig-
vo, uniram-se em sociedade e abriram no bairro Juvevê, ma. Destina-se a um consumidor que não está pre-
em Curitiba, há quatro anos, o Restaurante Chauá, o ocupado com quantidade, mas com qualidade”,
primeiro do País certificado como “orgânico”. resume o empresário. n
Como tornar-se um fornecedor
1) Definir o produto: O segmento de produtos atender aos critérios da produção orgânica.
orgânicos é variado, envolvendo desde alimen- Nesta etapa, terá de buscar uma consultoria
tos (in natura, processados, industrializados, especializada, que a ajudará a fazer esta adap-
resfriados e congelados) até cosméticos, têx- tação. Instituições como o Senai e o Sebrae e
teis, floriculturas e ração animal. Antes de optar, consultorias independentes são de grande valia
o empresário deve fazer um planejamento para o segmento industrial. O processo de
estratégico, estudando com atenção as adaptação pode levar de seis meses a um ano,
condições de logística, fornecedores, disponi- até a certificação;
bilidade de matéria-prima, localização e opera-
cionalização da produção, além da demanda; 4) Contratar uma certificadora: atualmente,
existem em atuação no Brasil seis certificadoras
2) Definir o mercado: atualmente, os principais (IBD, Ecocert, OIA, IMOControl, Control Union e
consumidores de produtos orgânicos são os BCS-ÖKO Garantie). São instituições que vão
Estados Unidos, Europa e Japão. Identificar o avaliar e atestar a correta adaptação da empre-
mercado antecipadamente torna mais fácil e sa à produção orgânica, desde a etapa da
barata a adaptação e certificação do processo escolha dos fornecedores, passando pela adap-
produtivo. Afinal, é preciso obedecer à legis- tação do processo produtivo até a elaboração
lação local sobre aceitação e comercialização do produto final. Elas darão o aval necessário à
dos produtos orgânicos. Uma dica é atender comercialização do produto no país previa-
primeiramente o mercado brasileiro, que se mente selecionado.
encontra ainda em estágio inicial, e compará-lo
com os mercados internacionais; Uma fonte importante de informações
sobre a produção de orgânicos é a página do
3) Conversão do sistema produtivo: a empre- Programa OrganicsBrasil na internet:
sa terá de adequar processos com vistas a
www.organicsbrasil.org.
12 OBSERVATÓRIO DA INDÚSTRIA - dezembro/2007
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